Análise

A profissão dos pais tem impacto sobre os resultados dos filhos?

por EDULOG


13 de outubro de 2016 |

Os filhos dos trabalhadores com mais qualificações conseguem melhores resultados a matemática que os colegas cujos pais têm profissões não qualificadas. O relatório “Do parents occupations have an impact on student performance?”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), compara as classificações obtidas pelos alunos no PISA 2012 com os empregos dos seus progenitores.

A força da relação entre as profissões dos pais e o desempenho dos filhos varia, consideravelmente de país para país. “Quando se trata dos resultados obtidos nos testes de matemática, as crianças dos trabalhadores na área das limpezas em Xangai, China, superam os filhos de ‘profissionais’ nos Estados Unidos, e os filhos de ‘profissionais’ na Alemanha superam em média os filhos de ‘profissionais’ na Finlândia”, constatam os peritos da OCDE.

O estudo da OCDE utiliza uma classificação que agrupa profissões e tarefas semelhantes. Os ‘gestores’ surgem como o grupo dos mais qualificados, seguidos dos ‘profissionais’, onde se inserem os trabalhadores qualificados com empregos na área da educação, ciência, saúde e gestão, e dos técnicos. Entre os menos qualificados, estão os ‘trabalhadores manuais’, ‘operadores e montadores de maquinas e instalações’ e, em último lugar, as designadas por ‘profissões elementares’. A meio da classificação ficam dois grupos, o dos trabalhadores na área dos ‘serviços e das vendas’, e da ‘agricultura, floresta e pescas’.

Os dados recolhidos mostram que é possível contrariar as assimetrias socioeconómicas das famílias. Países como a Finlândia e o Japão alcançam altos níveis de desempenho, porque, segundo a OCDE, “conseguem assegurar que as crianças de pais que trabalham em ‘profissões elementares’ recebem as mesmas oportunidades educativas e o mesmo incentivo que os filhos dos ‘profissionais’”.

Ainda assim, na maioria dos países e economias da OCDE, os filhos de ‘profissionais’ têm, em média, os melhores resultados a matemática. Colômbia, Indonésia, Itália, México, Peru e Suécia são as exceções. Ou seja, nestes países os filhos de ‘gestores’ pontuam mais alto em matemática. A diferença de desempenho entre os filhos de ‘profissionais’ e outros estudantes tende a ser mais elevada na pontuação a matemática e mais estreita na leitura.

A OCDE alerta que o desempenho geral do país depende, em parte, da existência de um maior ou menor número de alunos com pais a trabalhar numa determinada profissão. “Os resultados do PISA revelam que as pontuações obtidas pelos países e economias, quando comparados uns com os outros em termos do desempenho a matemática, são parcialmente influenciados pelas lacunas de desempenho relacionadas com as ocupações dos pais e pela estrutura do mercado de trabalho.”

Por exemplo, a Finlândia obtém melhor classificação a matemática que a Alemanha. No entanto, na Alemanha, os filhos dos ‘profissionais’ estão entre os melhores do mundo a matemática e superam, em larga medida, os colegas finlandeses cujos pais estão também na categoria de ‘profissionais’. Ao mesmo tempo, na Finlândia, os filhos dos ‘trabalhadores manuais’ (artífices e ocupações similares), dos ‘operadores e montadores de máquinas e instalações’ e das pessoas com ‘profissões elementares’, superam os estudantes alemães cujos pais trabalham nessas ocupações.

Os peritos da OCDE concluem que “a classificação dos dois países é determinada pela participação destes dois grupos de alunos: nos dois países menos alunos têm pais que trabalham como ‘profissionais’ e mais alunos têm pais que são ‘trabalhadores manuais’”.

A análise feita às informações recolhidas pelo PISA mostra ainda que “a França e a Nova Zelândia obtêm resultados a rondar a média da OCDE em matemática, mas têm desigualdades na educação acima da média: a diferença de desempenho entre os filhos de trabalhadores qualificados e de não qualificados é uma das maiores”.

Por outro lado, o relativo elevado desempenho da Finlândia, Hong Kong e Coreia deriva de níveis de desigualdade abaixo da média. A Alemanha não está entre os mais fortes desempenhos globais do PISA porque, lê-se no relatório, “enquanto os filhos de ‘profissionais’ na Alemanha estão entre os melhores do mundo em matemática, a grande maioria dos alunos cujos pais trabalham em profissões manuais têm desempenhos muito maus”.

Estados Unidos e Reino Unido são dos países onde os “profissionais” são dos mais bem pagos do mundo. No entanto, o estudo da OCDE revela que nestes países os alunos cujos pais trabalham como “profissionais” não têm tão bom desempenho na matemática como os filhos dos “profissionais” em outros países – nem obtêm resultados tao bons como as crianças em Xangai, China, e Singapura cujos pais são “trabalhadores manuais”.

A conclusão, escreve a OCDE, é que “embora exista uma forte relação entre as ocupações dos pais e o desempenho dos estudantes, o facto de que os alunos em alguns sistemas de ensino, independentemente do que seus pais fazem para ganhar a vida, superarem os filhos de ‘profissionais’ de outros países mostra que é possível proporcionar às crianças de operários as mesmas oportunidades de educação de alta qualidade que os filhos de advogados e médicos estão a usufruir”.

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